Walter Steiniger

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Local: São Paulo, SP, Brazil

sábado, outubro 29, 2005

O BEIJO

Acredito em verdades que são mentiras,
E luto em batalhas que não são minhas,
Desejo ser o que não quero,
E deixo meus versos confusos...

Oh! Que triste a minha sorte,
Enquanto vivo, desejo a morte,
Quando então a morte encontro,
Em meu peito explodem sonhos,

O meu ser se mostra pronto,
Mas minha vida não entrega os pontos,

Fujo da morte que me foge assim
Espero por ela, que espera por mim.

sábado, outubro 01, 2005

Sinto a angústia enorme de homem aflito à beira do abismo.
Uma espécie de sede que não se pode saciar.
Um embrulhar das entranhas revolvendo tudo que se sente, se espera e busca.
Vulnerável como uma criança indefesa, rodeada de feras.
Um guerreiro cansado das batalhas, lutando com suas últimas forças,
Só para manter-se em pé frente ao seu mais mortal oponente.
Fatigado, perdido, sozinho a enfrentar seus fantasmas internos.

Sinto uma angústia enorme como se estivesse contando as horas no corredor da morte.
Sedento de luz a iluminar os passos e clarear meu mundo.
Necessitando um remédio forte para amortecer as dores internas.
Sem forças nem mesmo para vestir a máscara que afugenta as bestas.
Desprotegido de sua armadura por estar debilitado para suportar seu peso.
De pé escorado pelas paredes a olhar o horizonte dentro de um olhar sem vida.
Cansado sem ter se exercitado.

Sinto tremenda angústia de uma alma aflita com a perda da própria origem.
Vivo a aflição de uma alma angustiada com a ausência da própria essência.
Perdido na escuridão dum mausoléu a respirar o ar denso das grandes perdas.
Só, triste, vulnerável, perdido, sofrendo, aflito, angustiado.
Vivendo por teimosia, respirando por aparelhos.
Assistindo perplexo ao funeral da esperança.
Walter Steiniger 14 de agosto de 2005